segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Por que ler Estrangeiros?

Bom, acho que se eu não fizer este post o propósito deste blog se perde.

Ficção científica e outros temas.O Brasil tem uma grande tradição em literatura e os livros realistas de Machado de Assis são reconhecidos mundialmente. E talvez por termos uma identidade literária muito forte, que se espraia por Graciliano Ramos, Jorge amado em temas do sertão ao nordeste, talvez por tudo isso não temos uma tendência em nos fixarmos em categorias e gêneros.
Por isso mesmo eu sempre tive uma dificuldade em satisfazer meu interesse com nossos livros. Claro que "Memórias póstumas de Brás Cubas" é daqueles clássicos que tem um pouco de tudo e sempre me intrigou, mas para quem queria se embrenhar nesses interesses e faltavam mais autores.
Eu também sempre fui um aficionado por filmes. Confesso inclusive que mais do que por livros. E os filmes de ficção científica "bons" tem uma qualidade única para evocar questionamentos. Separo em bons e... digamos, "não bons", porque ainda sou fã de Star Wars, porque os "bons" buscam uma qualidade de temas bem na fronteira entre o real e o surreal.
Quem, por exemplo, perguntar para um cientista se o teletransporte de Star Treck é possível pode ficar surpreso com a clássica resposta "mandar as partículas é fácil, recompô-las que é a parte que a gente não descobriu como fazer ainda".
Mas os "bons", mesmo, ainda usam essa qualidade não só para divulgar pesquisas, conhecimentos e tecnologias, como um catalogo glamourizado.  Mas em filmes como "2001 uma odisseia no espaço" você sai sem saber exatamente o que te aconteceu, o que aconteceu e o "e agora". Porque conseguem questionar algo próximo do nosso mundo, com conclusões e consequências que por mais estranhas que possam parecer ainda tem uma tese de ser possíveis.
Em Estrangeiros nos últimos dias de futuro busquei exatamente isso. Para mim a nossa espécie, que tem meros 70 mil anos e conhece a ciência a insignificantes 400 anos, está à beira de conhecimentos fantásticos e descobertas ainda mais fantásticas. E, claro, quando falo "à beira" me refiro a algo entre 50 a 500 anos. E se você pensar que 500 anos é ridículo para o tempo de vida da nossa espécie e ainda mais para o tempo da existência da vida no nosso planeta, alguém realmente consegue cogitar questionar se que coisas fantásticas estão para acontecer?
Então acho que é a ápoca perfeita para escrever sobre o futuro. Mas mais que isso, usar essa perspectiva para questionar nossos valores. De um ponto de vista de alguém que não foi concebido da forma que conhecemos, um homem sintético. Alguém que não tem qualquer vínculo com valores tão caros, que nos apegamos tanto e que com um passe de mágica alguém pode destruí-los com um simples "isso não era verdade".
Eu também me diverti muito pensando em técnicas e dispositivos que permitissem a vida eterna. E isso permitiu um outro questionamento implícito no livro. Mas esse eu deixo para os que se interessarem pensarem, não quero estragar a surpresa.
E imaginar diferentes configurações de sociedades foi muito bom. Solidificar pensamentos obscuros que se as pessoas pudessem ocupar um local sem julgamentos os implementariam com máxima crueldade.
Acho que nesse ponto eu peco um pouco, porque vejo a sociedade sempre como uma entidade maldosa porem necessária. Pensei em novos planetas sempre como distopias que deram certo, ou talvez até por isso mesmo e até porque se pode escolher fazer parte que deixam de ser distopias para serem utopias.
E talvez por isso o ser humano esteja condenado.

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