quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Bem vindos

Bem vindo ao blog sobre o livro Estrangeiros nos Últimos Dias de Futuro.

Ao invés de divulgar apenas algumas colagens do livro eu decidi colocar algumas passagens e comentar curiosidades mudanças, escolhas e curiosidades.

Então para começar quero contar um pouco do processo de escrita desse livro. A primeira versão tinha mais de 700 mil TACs, que são letras sinais e espaços. Todos os profissionais de revisão que eu enviei se assustaram com o tamanho do livro e a recomendação foi clara: diminuir.
Isso se deveu por eu tentar abordar assuntos técnicos que eu cria compor melhor um cenário futuro e tecnológico.
Um dos cortes foi o longo relacionamento com o robô, que eu tentava colocar as duas perspectivas, sendo que o personagem principal, Adam, muitas vezes quebrava as regras do sistema composto pela nave em que viajava, o robô, e o sistema operacional.
Dessa forma por diversas vezes as diretrizes do robô eram ativadas e Adam precisava sobreviver ao mesmo. Então eu criaria uma relação de desconfiança em que por diversas vezes o robô estaria prestes a atacar quando Adam procedia naturalmente e por outro lado uma paranoia em Adam que estaria num estado vigiado constante sendo que por diversas vezes o robô estaria procedendo naturalmente.
Esse cortes foi o com maiores descrições técnicas e de toda uma linha que eu abordava a questão da solidão no espaço. Apesar de ter ficado melhor, dado mais fluidez e clareza ao texto, foi um corte muito caro que me levou a reestudar todo o texto.
Outra parte que houve uma mudança radical foi o relacionamento de Adam com Christine.
Eu tentei imaginar um relacionamento de séculos, com todas as liberdades, intimidades e hábitos que um relacionamento tão longo teria que ter. Isso levaria a uma certa indiferença e uma dinâmica agressiva do casal, cheia de manipulações e ataques. Por fim ficou difícil e irreal acreditar que algo assim durasse tanto tempo. Algumas das cenas mais queridas para mim foram cortadas e reeditei todo esse relacionamento, mas que por fim me permitiu entender melhor o casal e colocá-los de uma forma mais realista.
Por fim, para que eu evite de contar o final do livro (rsrs) eu encerrando com a motivação para o livro. A primeira ideia foi justamente o primeiro capítulo. Na verdade imaginava que invés de xadrez essa cena se passaria numa sauna, mas numa escolha deliberada minha, quis colocar um pouco de mim e arremeter a uma tradição que tinha com um amigo.
Depois a segunda ideia foram os questionamentos de se viver para sempre, o que me levou a ficar bem crítico ao imaginar uma tecnologia que permitiria isso. Não queria que fosse um passe de mágica, um macguffin qualquer, queria ter credibilidade nisto.
E por fim o livro foi motivado por aquele sentimento do viajante. O livro é conduzido pelo sentimento de ser um viajante, explorar e temer o desconhecido, o novo, mas principalmente a vontade de explorar e temer seus próprios limites. Quem já desembarcou numa cidade que ninguém falava qualquer língua que que você falasse, e perambulou sem saber o que comer,onde dormir, sem uma pessoa desconhecida e deixou ser tomado pela alegria e excitação do momento, muito mais do que se deixar encolher pelo medo sabe qual é esse sentimento.

Como um post inicial acho que já cansei demais os leitores, mas só porque lembrar desse processo me da muito prazer. Obrigado e espero que apreciem o livro.

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